
Alguns dias a gente se sente especialmente só. Não abandonado, não uma solidão avassaladora que corrói os glóbulos brancos te deixando leucêmico, não. Apenas só, sozinha.
Talvez porque amanhã será o primeiro passo depois de muitos inúteis para eu ser alguém na vida... mas que importância tem isso?
Sinto como se eu quisesse uma mão para me levar até a sala, com uma lancheirinha, ansiosa para brincar com a massinha de modelar, mas com medo de que minha mãe vá embora e tudo desmorone.
Quem segura a mão da gente quando a gente é adulto? Como os adultos conseguem andar e resolver tantos pepinos e abacaxis sem alguém para apoiar e dizer: vai dar tudo certo, eu estou aqui!
E se eu não conseguir? E se eu não conseguir sozinha? Se eu pudesse ao menos levar o João Pedro, seria tudo muito mais fácil. Mas o que diriam de mim se eu, adulta, levasse o João comigo? Não me parece que causaria uma boa impressão.
Estou me sentindo muito ingênua para enfrentar isso tudo. Seria bom se meus sonhos fossem um pouquinho menores, proporcionais e cabíveis a mim. Seria bom se meus sonhos fossem um pouquinho menores, proporcionais e cabíveis a mim?
Eu queria que a Synara estivesse comigo. Eu me sentiria melhor. Muito melhor. Mas eu estou só.
E há tantos acertos que eu não posso perder. Há tantos erros que eu vou ter que superar. E escolhas, mil escolhas! Decisões difíceis. Decisões: difíceis. Mas agora que começou, começou!, eu tenho que seguir em frente na minha decisão de seguir o sacramento. Eu já fiz o meu voto.
Sinto um peso terrível nas costas. E estou só. Se minha fé fosse maior, talvez eu não me sentisse assim. Mas não vou pensar nisso, pois a culpa intensifica o peso.
Eu vou conseguir. Eu sempre consigo. Ainda que só.
Vou-me embora para dentro. Pros sonhos e desejos e anseios.
Só lá se é. Fá dó ré mi.
(razão do vídeo: "Nobody said it was easy")

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